domingo, 29 de junho de 2008

Debate - Márcia Tosta Dias, Pedro Alexandre Sanches e Pena Schmidt

"Da série “Pensar em Música”, evento contará com as presenças de Márcia Tosta Dias, autora do livro Os Donos Da Voz, do jornalista Pedro Alexandre Sanches e do diretor artístico do Auditório, Pena Schmidt (foto ao lado).
Dia 01 de julho, às 17 horas, o Auditório Ibirapuera abre o espaço, pela primeira vez, para uma palestra sobre a indústria fonográfica, as grandes gravadoras, as independentes e o trajeto da música brasileira. O evento, que será realizado na área de Convivência do Auditório para cerca de 80 pessoas, será gratuito. Os interessados devem retirar suas senhas com uma hora de antecedência na bilheteria do Auditório Ibirapuera. Publicado pela Boitempo em segunda edição, o livro Os Donos da Voz, tema da palestra, faz uma análise abrangente e detalhada do funcionamento da indústria fonográfica brasileira e mundial. A obra avalia os enormes avanços do mercado fonográfico, examinando sua organização administrativa, fusões, estratégias, critérios de produção e seus altos patamares de lucratividade – que perduraram por quase todo o século XX. Levanta ainda dados sobre as formas de difusão musical utilizadas pelas grandes companhias e ressalta o lugar ocupado pela chamada produção independente. A pesquisa que originou o livro, ao analisar as formas de organização e produção nas grandes companhias fonográficas no passado recente, acabou por encontrar e explorar o que se pode considerar como o ponto zero de tais transformações: a incorporação das tecnologias digitais ao conjunto do trabalho, sobretudo à gravação, aliada à reestruturação globalizadora do capitalismo.
Pensar em Música! - 01 de julho 17h00 - "Os Donos da Voz", sobre a indústria fonográfica AUDITÓRIO IBIRAPUERA Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 2 do Parque do Ibirapuera. Informações: info@iai.org.br Site: http://www.auditorioibirapuera.com.br/", Luciana Stabile, Music News.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Estatísticas de maio

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quarta-feira, 21 de maio de 2008

John Telfer - Musical Notes (2)

Rádios – tocam e não pagam

Você já escutou alguma vez músicos reclamarem que escutaram suas músicas tocando em rádios, mas nunca foram pagos por isso? Talvez isso possa ser chamado de “play and no pay”.

Um dos problemas é que, no Brasil, cerca de 50% (isso mesmo, 50%) das rádios não pagam direitos de performance referentes às músicas que tocam.

É um grande desrespeito dessas rádios aos compositores e artistas.

As rádios usam a música para atrair ouvintes, mas não querem pagar pela música. Elas deveriam estar pagando um pequeno valor pela licença ao ECAD e, então, esse o valor seria dividido entre o artista que gravou a música, o compositor, os músicos, a gravadora e a editora.

A gravadora recebe uma parcela porque há casos em que pagou pela gravação da música (master) e também assumiu custos para a promoção do disco (inclusive enviando discos para as rádios).

A gravadora pode ter pagado à rádio para que a música fosse veiculada. Se e quando isso acontecer, esse custo é cobrado de volta do artista, ou seja, é descontado dos direitos/porcentagens que ele receberá da gravadora. Vou abordar isso em outro momento.

Os músicos recebem uma pequena parcela porque tocaram na gravação da música veiculada nas rádios.

A editora recebe uma parcela porque representa os compositores e coleta os direitos desses últimos. Se as músicas são veiculadas em outros países (não apenas no país onde o artista reside), a sua editora faz um acordo com outras editoras estabelecidas em países diferentes. E, logicamente, os compositores recebem suas parcelas porque sem o compositor não haveria música.

A pirataria é sempre um tema recorrente. Mas, com certeza, o fato de algumas rádios não pagarem o que devem é também pirataria e tão ilegal quanto downloads ilegais ou a fabricação de cds piratas, não é?

Por que somos aparentemente incapazes de fazer com que as rádios paguem o que devem?

Esse tópico continua no próximo texto.

Obrigado pela atenção.

John Telfer, 19 de maio de 2008.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

BMA divulga informações

A BMA divulgou informações interessantes recentemente: o balanço de negócios em 2007-2008 e uma pesquisa que tem como respondentes os associados da BMA.

Os dois relatórios estão ao dispor do público no site da BMA (acesse "Institucional" e, depois, "Notícias" - são as duas notícias publicadas em 13 de maio de 2008).

É um bom ponto de partida para o debate sobre o papel do convênio BMA/APEX.

domingo, 4 de maio de 2008

Centro de Música e Negócios

1. Pressupostos:

A música é uma das principais formas por meio das quais as grandes empresas se comunicam com os consumidores. Em mercados mais desenvolvidos, essa conexão é mais plena. No Brasil, ela está em estágio menos avançado, mas claramente é uma realidade.

A forma de consumo de música gravada será cada vez mais por meio de empresas pagando para fornecer música gratuita aos seus consumidores (música gravada aparentemente gratuita para o consumidor – ao menos enquanto a qualidade dos arquivos digitais não for reconhecida como um valor agregado).

A música é um negócio como outro qualquer. Mas, no Brasil, há um déficit de conhecimentos e informações sobre esse ramo da atividade econômica.

É um negócio em mutação. A antiga locomotiva da indústria da música, venda de fonogramas em suporte físico, vem perdendo fôlego há anos, no Brasil e no mundo. É o momento ideal para se pensar novos modelos de negócios.

No momento em que as grandes gravadoras buscam novas formas de atuação, as pequenas começam a chamar a atenção. A pluralização dos canais de comunicação entre artistas e público vem gerando a descentralização do poder (estético, econômico e de influência), dando espaço às empresas menores. Isso é um fato em mercados mais desenvolvidos. O Brasil apresenta a mesma tendência. Haverá também uma grande demanda por informações por parte das empresas pequenas.


2. Função:

Centro de pesquisa sobre o mercado de música interno e sobre a exportação de música brasileira.


3. Objetivo:

Preencher o vácuo existente no Brasil no que diz respeito à literatura e sistematização de conhecimentos sobre o mercado de música. Contribuir para a contínua profissionalização desse mercado.


4. Oportunidade:

Atividade inovadora.

Venderia criatividade e inovação (consultoria que ajudaria a manter o centro de pesquisa). Devolveria, em troca, conhecimentos para todos (publicações e cursos).


5. Forma de financiamento:

- pequeno orçamento inicial (nome e infra-estrutura de alguma instituição de ensino/pesquisa);

- doações de empresas vinculadas à música;

- eventos sobre negócios com música;

- serviço de consultoria.


6. Estratégia:

Com o orçamento inicial, será produzido conteúdo inédito a ser disponibilizado no site do centro de estudos. Contatos serão feitos com agentes do mercado. Parte das informações e pesquisas que serão necessárias para que as consultorias sejam concluídas serão disponibilizadas para o público (exemplo: Ibope).


7. Possíveis apoios: IG, Terra, TIM, UOL, Oi, Claro, ABPD (ou multinacionais individualmente consideradas), itunes, Yahoo, Telefónica, Petrobras.

Eu acho uma idéia viável. Vamos ver se sairá do papel.

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segunda-feira, 21 de abril de 2008

1º Encontro Nacional de Música Independente

Nas últimas semanas, ouvi falar de um encontro da ABMI (Associação Brasileira de Música Independente) a ser realizado em Curitiba. Procurei informações sobre o evento, mas não encontrei nenhuma. Pensei então que o evento seria em outra época do ano ou que eu tinha entrado em contato com uma informação incorreta.

Mas em 15 de abril, ao ler as notícias diárias do Music News, obtive informações sobre o evento em questão. Para mais detalhes, veja esse arquivo.

Ocorreu recentemente 1º Encontro Nacional de Música Independente “convocado” pela ABMI, AMAR (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes) e pela UBC (União Brasileira de Compositores), com o apoio da Secretaria de Cultura e da Rádio e Televisão Educativas do Paraná.

Trata-se de uma ótima iniciativa (acredito em pessoas e instituições que se reunem para o debate de temas de interesse mútuo). No entanto, há alguns pontos que merecem ser avaliados.

Não encontrei nas páginas eletrônicas das instituições que convocaram o evento qualquer informação sobre o programa e objetivos do evento, quais os temas debatidos ou quem participou de cada painel. São informações básicas, mas que eu não consegui encontrar quer antes, quer após o evento (se alguém as encontrou e quiser me enviar, eu agradeço).

No texto divulgado pelo Music News, há uma informação interessante. “Em 2007, as quatro gravadoras multinacionais que atuam no Brasil lançaram, no total, 130 novos discos, dos quais, 75 são licenciamentos de música estrangeira”. Após isso, são citados os números individualizados em cada uma das quatro multinacionais.

Em oposição a esses números, foi informado que 63 gravadoras independentes lançaram 784 novos discos em 2007. “Estão excluídos deste número aquelas que trabalharam principalmente com licenciamentos internacionais e os músicos que se auto produzem, estes últimos pela impossibilidade de ser contabilizados”. Pressupus então que foram 784 discos de artistas brasileiros (mas seria importante que essa informação estivesse expressa no documento).

O primeiro ponto que merece atenção é a ausência da indicação das fontes de tais dados. Creio que seria importante que, em relação a cada dado mencionado no documento, houvesse um detalhamento no sentido de indicar as fontes. Por exemplo, seria ótimo saber quais são as 63 gravadoras independentes que lançaram 784 discos de música brasileira em 2007. Tal complemento daria mais legitimidade ao argumento desenvolvido no texto.

Foi informado também que, em 2007, apenas 9,82% do espaço das rádios comerciais brasileiras foi dedicado à música produzida pelas independentes.

Após a menção aos dados, há a frase “(...) os números disponíveis são eloqüentes e falam por si”.

Pela indicação dos dados é possível entender o documento derivado do encontro pretende defender. Em resumo, ele defende um maior equilíbrio entre o que é transmitido nas rádios comerciais e a pluralidade de manifestações musicais brasileiras.

Foi informado que “a grande indústria do disco ocupou 87,37% do espaço das rádios comerciais brasileiras”. Perguntas que eu faria para melhor compreender o cenário:

- qual a fonte de tal informação?
- qual o método utilizado para aferir tal número?

Considerando que o texto informa que as multinacionais lançaram 75 discos de artistas estrangeiros e 55 discos de artistas brasileiros, uma mera contraposição desses dados com os 87,37% do espaço ocupado pelas multinacionais nas rádios comercias revela que as multinacionais dominam as rádios comerciais, mas nada revela sobre quanto desses 87,37% refere-se aos artistas estrangeiros e quanto se refere aos artistas brasileiros contratados pelas multinacionais.

O texto aborda a expressão “produção musical genuinamente brasileira” como algo que não está muito presente nas rádios comerciais brasileiras. A pergunta é: por que as músicas dos 55 discos de artistas brasileiros lançadas pelas multinacionais não são “genuinamente brasileiras”?

Meu ponto é: há vários números para corroborar muitos argumentos. Um pouco mais de precisão em relação aos números e aos termos utilizados contribuíram mais para o debate. Números não falam por si só, nós falamos por eles.